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Poesia, matemática e ensinamentos em "O Homem que Calculava"

Acabei de ler o clássico e excelente livro "O Homem que Calculava" de Malba Tahan, publicado em 1938.

O livro não só fala sobre cálculos, matemática e geometria. Longe disso! Interessantíssimo texto, de fácil leitura, que usa a matemática como pano de fundo, mas que também passeia deliciosamente pela poesia e fala sobre a desejada supremacia do espiritual e da humildade sobre o apego a bens materiais. Recomendo ler essa grande obra que mescla de uma forma muito equilibrada poesia, ciência e ensinamentos.

Muito interessante também é a história do escritor Malba Tahan, que na verdade é o pseudônimo de Júlio César de Melo e Sousa, escritor e matemático brasileiro. No livro narra uma história bastante detalhada no Oriente Médio, sem nunca ter botado os pés lá.


A obra

Aventuras de um singular calculista persa é um romance infanto-juvenil do escritor brasileiro Malba Tahan (heterônimo do professor Júlio César de Mello e Souza), que narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz1 Samir na Bagdá do século XIII. Foi publicado pela primeira vez em 19382 e já chegou a sua 75ª edição.
 
A narrativa, dentro da paisagem do mundo islâmico medieval, trata das peripécias matemáticas do protagonista, que resolve e explica, de modo extraordinário, diversos problemas, quebra-cabeças e curiosidades da matemática. Inclui, ainda, lendas e histórias pitorescas, como, por exemplo, a lenda da origem do jogo de xadrez e a história da filósofa e matemática Hipátia de Alexandria. (Fonte: Wikipédia)

 
O autor

Júlio César de Melo e Sousa (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan, foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil. Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas e lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo de Malba Tahan.

Ao criar seu pseudônimo, Júlio César criou também um personagem: Malba Tahan. Este escritor, cujo nome completo seria Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan, teria nascido na aldeia de Muzalit, próximo a Meca, a 6 de maio de 1885. Teria feito seus estudos no Cairo (Egito) e Istambul (Turquia). Após a morte de seu pai, teria recebido vultosa herança e viajado pela China, Japão, Rússia e Índia, onde teria observado e aprendido os costumes e lendas desses povos. Teria estado, por um tempo, vivendo no Brasil. Teria morrido em batalha em 1921 na Arábia Central, lutando pela liberdade de uma minoria local.5 6 Seus livros teriam sido escritos originalmente em árabe e traduzidos para o português pelo também fictício Professor Breno Alencar Bianco.

Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil, tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo. (Fonte: Wikipédia)

 
Para finalizar, extrai do livro esse belíssimo poema do indiano Rabindranath Tagore (1861-1941):

“Dá-me, ó Deus, forças para tornar o meu amor frutuoso e útil. 
 
Dá-me forças para jamais desprezar o pobre nem curvar o joelho ante o poder insolente. 
 
Dá-me forças para levantar o espírito bem alto, acima das futilidades de todo dia. 

Dá-me forças para que me humilhe, com amor, diante de ti. 
 
Não sou mais que um farrapo de nuvens de outono, vagando inútil pelo céu, ó Sol glorioso! 

Se é teu desejo e teu aprazimento, toma do meu nada, pinta-o de mil cores, irisa-o de ouro, fá-lo flutuar no vento, e espalha-o pelo céu em múltiplas maravilhas. . . 
 
E depois, se for teu desejo terminar à noite tal recreio, eu desaparecerei, esvaecendo-me em treva, ou talvez em um sorriso de alvorada, na frescura da pureza transparente.”

(Rabindranath Tagore)

Comentários

  1. Queria uma frase falando no livro o homem que calculava no "capitulo 20" :3 obgd

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  2. Preciso do volume 3 do livro "A sombra do arco iris, Malba Tahan.

    E muito lindo o poema de Tagore, o Sol da India, como Gandhi dizia. Obrigada.

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