Pular para o conteúdo principal

Uma festa ambulante

“Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem,  sua  presença  continuará  a  acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante”.
 
O livro “Paris é uma Festa” (A Moveable Feast) apresenta as memórias do escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961) quando de sua passagem por Paris. Escrita entre 1957 e 1960, a obra só foi publicada três anos após sua morte. O livro cobre o período de 1921 a 1926, durante os loucos, tumultuados e felizes anos 20, quando Hemingway viveu na Cidade Luz.
 
 
Em Paris, aos 22 anos, ele lê pela primeira vez clássicos como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. Convive com Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, dentre outras figuras polêmicas e encantadoras para o jovem Hemingway. A cidade e esses “companheiros de viagem” deram-lhe nova dimensão humana e maior sensibilidade para alcançar os seus dois objetivos primordiais na vida: ser um bom escritor e viver em absoluta fidelidade consigo próprio.
 
O livro fornece detalhes de endereços específicos, tais como cafés (o Café du Dôme, por exemplo), bares, hotéis e apartamentos que ainda podem ser encontrados hoje em dia em Paris. A livraria Shakespeare and Company (37 Rue de la Bûcherie) era muito frequentada por  Hemingway e outros intelectuais da época. Lembre-se dela da próxima vez que for à Paris.
 
Livraria "Shakespeare and Company"
 
“Paris é uma Festa” foi o último livro escrito por Hemingway. Em 2 de julho de 1961, enfiou na boca os dois canos da sua carabina de caça predileta e atirou, acabando com sua vida. Seu pai também havia se suicidado em 1929.
 
 O filme “Meia Noite em Paris”, de 2011, dirigido pelo diretor americano Woody Allen, mostra um pouco da época, cenários e artistas citados na obra, merecendo ser visto, após a leitura do livro.
 
 
Trailer do filme

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

As letras de "Fascinação"

Quem não é fascinado pela canção "Fascinação" (título original "Fascination"). "Fascination" é uma valsa popular, com melodia composta em 1904 por Fermo Dante Marchetti e letra escrita em 1905 por Maurice de Féraudy em francês (letra em inglês de Dick Manning). Foi lançada em 1932. A versão da letra em português que todos nós conhecemos foi escrita em 1943 por Carlos Galhardo e gravada sublimemente pela Elis Regina em seu álbum Falso Brilhante (1976). A versão original da letra em francês é pouquísimo conhecida aqui no Brasil, e no mundo bem menos que a versão em inglês. Escutem-na abaixo com Daniel Plaisir (este nunca tinha tido o "plaisir" de conhecer!): Daniel Plaisir cantando a letra original em francês "Je t’ai reencontrée simplement,  Et tu n’as rien fait pour chercher à me plaire . Je t’aime pourtant, D’un amour ardent, Dont rien, je le sens, ne pourra me défaire. Tu seras toujours mon amante Et je crois à toi comme au b...

As três versões de "O que será" do Chico Buarque

Umas das obras primas do gênio Chico Buarque de Holanda, a música " O que será ", possui três versões, cada uma mais linda que a outra. Você sabia? Lembrava? As três versões são: - Abertura - À flor da pele - À flor da terra Compostas em 1976, foram interpretadas espetacularmente pelas vozes do próprio Chico, Milton Nascimento e Simone, essa cantando como sempre, transbordando sentimento. Abertura E todos os meus nervos estão a rogar E todos os meus órgãos estão a clamar E uma aflição medonha me faz implorar O que não tem vergonha, nem nunca terá O que não tem governo, nem nunca terá O que não tem juízo   O que será que lhe dá O que será meu nego, será que lhe dá Que não lhe dá sossego, será que lhe dá Será que o meu chamego quer me judiar Será que isso são horas de ele vadiar Será que passa fora o resto do dia Será que foi-se embora em má companhia Será que essa criança quer me agoniar Será que não se cansa de desafiar O qu...

Clubes da Esquina

Clube da esquina. Bairro Santa Tereza, rua Divinópolis com rua Paraisópolis, zona leste de Belo Horizonte, Minas Gerais. Encontros na esquina (no chão da calçada), conversas, poesias, músicas, violão, vozes, talentos... Brasil!   A esquina (foto do site "Outra Viagem").     Foi lá onde tudo começou... início dos anos 70, sob a ditadura, e ao som de Beatles (naturalmente!). Milton, os Borges, Beto Guedes, Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Wagner Tiso, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Tavinho Moura... Todos juntos, muitas obras primas geraram.   Mudando do lugar para som, abaixo, os dois "Clube da Esquina", fantásticos, hoje clássicos. Não dá pra não escutá-los...e de joelhos viu?         Enquanto escutam, recomendo lerem "Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina" de Márcio Borges. Fundamental para entender aquela época e seus personagens.   Eles... A turma no jeep "Manuel, o audaz" ...